Acumulador ou Colecionador:
Muito Além Da Bagunça

Quem em algum momento da sua vida já não colecionou alguma coisa, desde figurinhas, etiquetas, bonecas, carrinhos, selos e por aí vai? Lembro que por volta dos meus 9 anos adoraaaaava colecionar etiquetas de lojas e que colava num caderno… Quem diria, não ?

Até um certo ponto, o ato de acumular é uma fase do nosso crescimento e com o passar do tempo acabamos nos desinteressando e voltamos a nossa atenção para outras coisas mais importantes.

Porém, hoje em dia com o consumo desenfreado e com o marketing incentivando as pessoas a terem cada vez mais coisas = sinônimo de felicidade, a probabilidade em acumular aumenta também,consideravelmente.

Muitas pessoas descrevem a si mesmas como colecionadoras.  Alguém que tem um grande prazer em colecionar itens e que não gosta de jogar coisas fora. Embora muitos colecionadores confessos levem uma vida normal, adquirindo itens e muitas vezes falhando na hora de se livrar deles, há uma parcela que “coleciona” coisas  que não tem a menor serventia ou valor, como jornais e revistas velhas, potes de plástico quebrados, garrafas pets, caixas de papelão,

Mas como descobrir o limite tênue entre colecionar e acumular?

 

COLECIONAR É NORMAL, ACUMULAR NÃO!

Colecionadores de todos os tipos tem uma coisa em comum: Eles amam colecionar coisas. Entretanto, o tipo de coisas que colecionam, o significado que os itens colecionados têm e como o ato de colecionar afeta a vida da pessoa, faz toda a diferença entre ser um ávido colecionador e ser um acumulador compulsivo.

Vamos aqui usar dois exemplos  para explorar as diferenças entre colecionar e acumular.

CASO #1 : MARCOS

Marcos é um homem de 51 anos, casado, dono de um pequeno negócio e que prontamente descreve a si mesmo como um colecionador. Em particular, Marcos ama restaurar, colecionar e exibir seus móveis antigos. Marcos e sua esposa passam metade dos seus finais de semana viajando em busca de peças raras de mobiliário. Ambos amam estes finais de semana e os consideram como uma fuga divertida da cidade grande.

Embora Marcos adore móveis antigos, ele é um comprador criterioso.

Quando está em busca dos seus móveis, ele frequentemente volta de mãos vazias caso não encontre exatamente o que ele quer e raramente compra por impulso. Dito isso, com mais de 25 anos se devotando a colecionar e restaurar antiguidades, Marcos reuniu uma coleção extremamente vasta. Felizmente para o Marcos, o sucesso do seu negócio, deu-lhe meios de construir um anexo na sua casa que funciona somente para a restauração e exibição das suas peças.

No interior da sua casa, muitas poucas peças aparecem, para alívio da sua esposa. Ele prefere dispor a sua coleção de uma forma organizada por categorias em alguns locais da casa. Ocasionalmente, mas com uma certa relutância, Marcos vende peças antigas para que novas peças possam entrar.

Acima de tudo, Marcos encontra no ato de colecionar e restaurar uma válvula de escape do seu negócio, o que toma a maior parte do seu tempo.

 

CASO #2: ANA

Ana é uma mulher aposentada, divorciada que também se descreve como uma colecionadora. Ana passa a maior parte do seu tempo seja durante a semana ou nos finais de semana, visitando feirinhas, brechós, lojas populares e liquidações variadas procurando por – como ela mesma denomina – “tesouros”.

Os amigos da Ana ficam muito intrigados com essa fascinação que ela tem por estes itens que chama de “tesouros”, mesmo que eles quase sempre considere estes itens como “lixo”. Por exemplo: Ana tem uma grande coleção de espátulas de plástico velhas, tapperware velhos e sem tampa, jornais e revistas antigos e lâmpadas quebradas. Para acrescentar, ela também coleciona pilhas de folders de propaganda cujo papel não deve ser desperdiçado.

Embora as tendências de “colecionadora” tenham começado modestamente pelos seus vinte anos, após se tornar aposentada, o ato de colecionar se intensificou.

Em cerca de três anos, dentro da sua casa ela só tinha um pequeno caminho entre a cozinha, quarto e banheiro, área que estava livre da bagunça.

Quando sua mãe morreu, Ana levou todos os pertences da sua mãe para casa e colocou em um dos quartos, que já estava cheio.

E, não surpreendentemente, o marido da Ana cansou-se desta situação e acabou deixando-a, pedindo o divórcio.

Muitos dos seus amigos, igualmente, cansaram desta situação e pararam de visitá-la. Alguns amigos que ficaram, até tentaram sugerir que ela fizesse uma limpeza mas ela ficava muito aborrecida e perguntava porque não a deixavam em paz e sozinha.

Além disso, ela se tornou enfurecida quando o seu filho sugeriu que fossem fazer um descarte dos pertences que estavam nas caixas , avaliando o que seria inútil permanecer. Ela simplesmente não poderia imaginar se desfazer de qualquer item que possuía dentro de casa.

Na verdade, ela tinha um grande medo de jogar fora algo que poderia ser utilizado em algum momento da sua vida, e a intensidade do seu apego emocional era muito maior quando se tratava dos itens que pertenceram à sua mãe.

A ANÁLISE: COLECIONADOR, ACUMULADOR OU AMBOS?

Ambos, Marcos e Ana, descrevem a si mesmos como “colecionadores”. Entretanto, está claro que o amor que o Marcos tem em colecionar móveis antigos, mesmo que seja uma quantidade considerável, não tem nenhum efeito negativo no seu dia a dia. Especificamente, embora a sua coleção seja bem grande, ele tem plenas condições de armazená-la eficientemente e de uma forma segura, não causando nenhum transtorno em termos de desordem ou acúmulo dentro da sua casa.  Além disso, embora ele e sua esposa nutram um grande amor em colecionar móveis antigos, isso fica em segundo plano para que eles possam gerenciar o seu pequeno e bem sucedido negócio. Marcos também sabe que ocasionalmente deve vender peças antigas para abrir espaço para peças novas que deseja colecionar. E finalmente, sua coleção não causa nenhum tipo de tensão no relacionamento com a sua esposa.

Por outro lado, a coleção da Ana deixou a sua vida numa tremenda confusão e ela acabou sendo dominada por uma compulsão em colecionar itens totalmente inúteis. Claro que é significante que ela não é capaz de jogar fora itens em que a maioria das pessoas considera como lixo e que também existe um forte apego emocional a quase todos os itens que estão na sua casa. Por esta razão, a casa dela está quase que totalmente inabitável e se torna um grande perigo não somente para ela como para qualquer outra pessoa que entrar na casa.

Como é comum entre pessoas que acumulam, ela não tem qualquer percepção da natureza e gravidade do seu problema. Acima de tudo, o seu acúmulo culminou no término do seu casamento, no afastamento dos seus amigos e no desentendimento com o seu filho , que passou a ter muita raiva desta situação.

Desta forma, embora os dois se confessem “colecionadores”, os sintomas da Ana são muito mais consistentes com o padrão de comportamento do acumulador compulsivo, ao passo que Marcos é apenas uma pessoa que é simplesmente apaixonada em colecionar móveis antigos.

Assim, Ana seria muito beneficiada se tivesse uma avaliação através de um médico psiquiatra, para que desta forma fosse diagnosticada corretamente e começasse um tratamento para averiguar as causas da sua compulsão e explorar as opções para solucionar os seus desafios.

Se você, um membro da família ou qualquer outra pessoa que você conheça tenha uma compulsão em colecionar itens que sejam considerados sem valor algum pela maioria e que tenha um impacto negativo no dia a dia , talvez seja o momento de considerar falar com um médico psiquiatra. O problema poderá se agravar e deixar de ser uma simples “coleção”. O tratamento para o acumulador compulsivo existe e funciona em conjunto com o profissional de organização.

Não pense que a pessoa acumuladora faz isso de propósito. Ela precisa sim de muita compaixão, compreensão e tato.

Caso deseje saber mais a respeito de como posso ajudar, entre em contato via whatsapp  (21- 99999-6477) ou via e-mail (contato@helporganizacao.com.br)

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Até breve!

Beijos,

Cintia

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